Avaliar na Educação Infantil não tem nada a ver com dar notas, aprovar ou reprovar. Tem a ver com acompanhar de perto como cada criança aprende e usar essas observações para planejar melhor. É exatamente isso que propõe a avaliação formativa.

Neste artigo, você vai entender o que é a avaliação formativa, o que a legislação diz sobre ela, como colocá-la em prática no dia a dia e qual é o papel do professor durante as atividades.

O que é avaliação formativa?

A avaliação formativa é aquela que acontece ao longo do processo de aprendizagem, e não apenas no final. Ela acompanha as crianças à medida que aprendem, ajuda o professor a perceber avanços e dificuldades e orienta o planejamento das próximas propostas.

Nenhuma criança aprende do mesmo jeito ou no mesmo ritmo. A avaliação formativa é justamente a forma de olhar para cada uma delas, comparando a criança consigo mesma ao longo do tempo, e não com os colegas. Por isso ela é uma aliada da aprendizagem significativa: a avaliação deixa de ser algo a temer e passa a ser uma ferramenta de crescimento, tanto para as crianças quanto para o professor.

Avaliação formativa × avaliação somativa

Avaliação formativa Avaliação somativa
Quando acontece Durante todo o processo Ao final de um período
Objetivo Acompanhar e reorientar a prática Medir e certificar resultados
Como se expressa Observações, registros, pareceres descritivos Notas, conceitos, classificações
Na Educação Infantil É o modelo adotado Não se aplica (não há nota nem retenção)

O que diz a legislação

A avaliação formativa não é apenas uma escolha pedagógica: ela está alinhada ao que a legislação brasileira determina para a Educação Infantil.

  • LDB (Lei nº 9.394/1996, art. 31): a avaliação na Educação Infantil deve ser feita mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental. A instituição também deve expedir documentação que permita atestar os processos de desenvolvimento e aprendizagem.
  • DCNEI (Resolução CNE/CEB nº 5/2009, art. 10): as instituições devem criar procedimentos de acompanhamento e avaliação sem objetivo de seleção, promoção ou classificação, com observação crítica e criativa das atividades, brincadeiras e interações, uso de múltiplos registros (relatórios, fotografias, desenhos, álbuns etc.), documentação que permita às famílias conhecer o trabalho da instituição e a não retenção das crianças.
  • BNCC: orienta que o professor acompanhe tanto as práticas quanto as aprendizagens, observando a trajetória de cada criança e do grupo, por meio de diversos registros feitos em diferentes momentos, para reorganizar tempos, espaços e propostas.

Em resumo: na Educação Infantil, as atividades não são pontuadas, as crianças não recebem notas e não podem ser retidas.

Avaliar sem nota não é avaliar sem objetivo

A ausência de notas não significa ausência de planejamento. Pelo contrário: é indispensável ter objetivos de aprendizagem claros para o ano, a partir dos campos de experiência da BNCC, e observar as crianças coletiva e individualmente. Só assim o professor consegue trabalhar as dificuldades de forma precisa.

Em vez de pontuar tarefas, a avaliação formativa usa conceitos, pautas de observação e relatórios descritivos. Isso faz com que os educadores deem mais relevância aos processos de aprendizagem e à evolução das crianças do que aos resultados finais. O passo a passo dos instrumentos está no nosso guia sobre como realizar a avaliação na educação infantil.

Perguntas para fazer antes de cada proposta

Antes de propor qualquer jogo, projeto ou atividade, tenha clareza sobre:

  • O que eu quero que as crianças aprendam com esta proposta?
  • Como eu espero que elas desenvolvam essas habilidades?
  • Vou precisar de materiais de apoio (livros, cartolina, tinta, brinquedos)? Se sim, as crianças estão prontas, física e emocionalmente, para usar essa ferramenta? Como ela vai ajudá-las a aprender?
  • O que elas já sabem? Qual é o repertório da turma, e como a proposta vai dar continuidade a ele?

O ciclo da avaliação formativa na prática

A avaliação formativa funciona como um ciclo contínuo:

  1. Observar: acompanhe as crianças nas brincadeiras, interações e atividades, com atenção ao que fazem, dizem e às estratégias que usam.
  2. Registrar: anote o que observou em diário de bordo, pautas de observação, fotografias e produções das crianças (portfólio).
  3. Analisar: compare os registros ao longo do tempo. O que a criança já consegue fazer que antes não fazia? Onde precisa de mais apoio?
  4. Replanejar: ajuste as próximas propostas a partir dessas observações, como o planejamento pedagógico prevê na etapa de avaliação.
  5. Comunicar: compartilhe o percurso com as famílias por meio de pareceres descritivos e portfólios, mostrando conquistas e próximos passos.

O papel do professor durante a atividade

Durante a atividade, o professor deve assumir um papel secundário. Mesmo que haja vontade de explicar tudo, até para agilizar o processo, a aprendizagem das crianças se constrói justamente por tentar, errar e repetir. Mostre como usar o material, explique o que é esperado e, depois, interfira o mínimo possível, somente quando a criança encontrar um problema que não consegue resolver sozinha.

Nunca faça o trabalho por elas, por mais que isso teste sua paciência. Quando uma criança mostra uma dificuldade “insuperável” naquele momento, isso costuma indicar que ela ainda está desenvolvendo habilidades prévias. Por exemplo: se ainda não consegue colorir dentro das linhas, provavelmente está aprendendo a segurar o lápis e ampliando sua coordenação motora. Segurar a mão dela para pintar impede que ela desenvolva suas próprias estratégias. O mesmo vale para a introdução à escrita: a criança precisa testar possibilidades, errar e corrigir para ganhar autonomia.

Isso não significa ficar parado. Estimule a turma, faça perguntas, ouça as respostas com atenção e acolha os interesses e ideias que as crianças expressarem. Esteja disposto a mudar os rumos de uma atividade se ela não despertar o interesse previsto, adaptando as tarefas aos objetivos de aprendizagem já definidos. Sempre há mais de uma maneira de aprender a mesma habilidade, e nem todas funcionam para todas as crianças.

Conclusão

Para que a avaliação formativa seja eficaz, adote o registro pedagógico como principal ferramenta de reflexão e de melhoria da sua prática. Siga um cronograma flexível, capaz de atender às individualidades da turma, e nunca deixe de olhar com cuidado para as crianças que mais precisam de você.

Ficou com dúvidas ou quer compartilhar alguma experiência? Escreva para nós pela página de contato.

Aprofunde a prática avaliativa e pedagógica

A avaliação formativa ganha força quando articulada com os registros de sala e o planejamento pedagógico:

Referências

  • BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional (art. 31, com redação da Lei nº 12.796/2013).
  • BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução nº 5, de 17 de dezembro de 2009. Fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.
  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é o objetivo principal da avaliação na Educação Infantil?

Acompanhar o desenvolvimento e as conquistas de cada criança ao longo do tempo para reorientar a prática pedagógica, nunca com o objetivo de classificar, promover ou reter.

A criança pode ser reprovada na Educação Infantil?

Não. A LDB e as DCNEI determinam que a avaliação na Educação Infantil não tem objetivo de promoção e garantem a não retenção das crianças.

Qual a diferença entre avaliação formativa e somativa?

A formativa acontece durante o processo e serve para reorientar o ensino; a somativa mede resultados ao final de um período, geralmente com notas. Na Educação Infantil, adota-se a avaliação formativa.

Quais instrumentos usar na avaliação formativa?

Diário de bordo, pautas de observação, registros fotográficos, portfólio de produções da criança e pareceres descritivos. Veja como usar cada um no guia de avaliação na educação infantil.


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Pedagoga Karol Alves
Sobre a Autora

Pedagoga Karol Alves

Pedagoga, professora especialista em Educação Infantil e coordenadora pedagógica. Compartilha práticas reais de sala de aula, reflexões pedagógicas e orientações alinhadas à BNCC para apoiar outros educadores.

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