Nós professores temos o péssimo hábito de acharmos que nossos alunos estarão conectados com nossos pensamentos, muitas vezes perdemos a chance de evitar determinados acontecimentos por pura falta de diálogo.

Por isso, amigo professor, não se deixe abater pela correria do dia a dia. Conversar com intencionalidade não é perda de tempo: é o alicerce mais eficaz para prevenir mal-entendidos e garantir um ambiente harmonioso, em consonância com o que defendemos no guia de planejamento pedagógico para educação infantil em 5 passos e nos direitos de convivência da BNCC explorados em o cotidiano escolar segundo a Base Nacional Comum Curricular.

Compartilho a seguir três relatos reais da minha prática onde o diálogo substituiu broncas e regras punitivas:

1. Tesouras na sala de aula: 3 anos sem acidentes

Antes do diálogo: cortes indesejados no cabelo, brincadeiras de espadinha, risco de machucar os dedinhos.
Depois do diálogo: três anos consecutivos sem nenhum incidente com tesouras!

No primeiro dia do ano em que vamos utilizar o material, sento em roda com a turma. Apresento a tesoura e pergunto: “Essa tesoura é igual à do cabeleireiro?” Eles respondem: “Não!”. Pergunto: “É uma espada?” “Não!”. Explico que aquele instrumento serve exclusivamente para recortar papel nas atividades pedagógicas. Relembro esse acordo antes de cada proposta. Crianças precisam de previsibilidade e rotina.

2. Adesivos da agenda escolar

Em anos anteriores, muitos alunos arrancavam os adesivos das agendas. Ao adotar a metodologia da roda prévia, expliquei a função dos adesivos para a organização escolar e como o cuidado de cada um preservava o material da turma. O resultado? Nenhuma folha de adesivos danificada.

3. Comportamento fora da sala de aula

Transições pelo pátio ou idas a eventos da escola geram ansiedade e agitação. Em vez de recorrer a broncas ou gritar para pedir silêncio em sala de aula, passei a fazer acordos antes de sair: explicava exatamente como caminharíamos, como ouviríamos os colegas e por que ouvir um ‘não’ faz parte do amadurecimento emocional e da convivência na infância.

Quanto maior o número de crianças que se sentem ouvidas e respeitadas, mais o grupo se autorregula pelo exemplo mútuo.

Conclusão

É através do diálogo, do olhar no olho e do afeto constante que conseguimos mediar conflitos na educação infantil sem nos distanciar dos nossos alunos.


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Perguntas Frequentes (FAQ)

Quanto tempo deve durar uma roda de conversa na Educação Infantil?

Para crianças bem pequenas (1 a 3 anos), de 5 a 10 minutos; para crianças pequenas (4 e 5 anos), de 15 a 20 minutos, respeitando o ritmo de atenção.


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Pedagoga Karol Alves
Sobre a Autora

Pedagoga Karol Alves

Pedagoga, professora especialista em Educação Infantil e coordenadora pedagógica. Compartilha práticas reais de sala de aula, reflexões pedagógicas e orientações alinhadas à BNCC para apoiar outros educadores.

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